Como cães, cavalos e outros pets transformam vidas

Como cães, cavalos e outros pets transformam vidas


A conexão entre pessoas autistas e animais pode ser uma ferramenta terapêutica poderosa, favorecendo o desenvolvimento e o bem-estar

pikisuperstar/FreepikMenino com cavalo
Terapia Assistida por Animais (TAA) é uma abordagem que tem se mostrado eficaz no apoio ao desenvolvimento de pessoas neurodivergentes

A relação entre humanos e animais sempre foi marcada pelo afeto e pelo impacto positivo no bem-estar emocional. Para pessoas com autismo, essa conexão pode se tornar um importante recurso terapêutico, auxiliando no desenvolvimento social, motor, cognitivo e emocional.

A Terapia Assistida por Animais (TAA) é uma abordagem que tem se mostrado eficaz no apoio ao desenvolvimento de pessoas neurodivergentes, incluindo aquelas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mas como os animais podem contribuir nesse processo? Quais são os benefícios reais?

Neste artigo, exploramos como a TAA pode ajudar pessoas autistas, quais animais são mais indicados para esse tipo de intervenção e como essa abordagem pode complementar outras estratégias terapêuticas.

O que é Terapia Assistida por Animais e como ela pode auxiliar pessoas autistas?

A TAA é uma intervenção terapêutica estruturada que utiliza a interação com animais para promover ganhos no desenvolvimento global de indivíduos com autismo e outras condições do neurodesenvolvimento.

Diferente do simples contato com um animal de estimação, essa terapia é conduzida por profissionais especializados, que utilizam atividades específicas para trabalhar habilidades sociais, comunicação, regulação emocional e até questões motoras.

Principais benefícios da Terapia Assistida por Animais para pessoas com autismo:

  • Desenvolvimento da comunicação: a presença de um animal pode estimular o contato visual, promover interações sociais e incentivar a fala em pessoas autistas não oralizadas ou com dificuldades na linguagem.
  • Redução da ansiedade e da rigidez comportamental: o contato com um animal pode gerar uma sensação de segurança e previsibilidade, ajudando na regulação emocional.
  • Estímulo motor e sensorial: muitas pessoas com TEA apresentam alterações sensoriais. A interação com animais pode auxiliar na regulação sensorial, oferecendo estímulos táteis e proprioceptivos de forma gradual e controlada, além de promover estímulos motores que envolvem os grandes e pequenos grupos musculares.
  • Aumento da atenção e concentração: estudos mostram que crianças autistas tendem a manter o foco por mais tempo durante atividades que envolvem animais, favorecendo o aprendizado e mantendo o engajamento.

Quais animais são utilizados na TAA para autismo?

A escolha do animal depende do objetivo terapêutico e das necessidades individuais da pessoa atendida. Alguns dos mais utilizados são:

  • Cães e gatos: os cães são frequentemente escolhidos por sua natureza sociável e por responderem bem a comandos e interações. Eles auxiliam na criação de vínculos, na redução da ansiedade e no desenvolvimento da comunicação. Já os gatos, apesar de mais independentes, podem oferecer conforto emocional e estimular a interação social de maneira mais sutil.
  • Cavalos (Equoterapia): a equoterapia é uma abordagem amplamente reconhecida no tratamento de pessoas com autismo. O movimento rítmico do cavalo ajuda no desenvolvimento motor, na regulação sensorial e na melhoria do equilíbrio postural. Além disso, o contato com o animal promove autoconfiança e autocontrole.
  • Coelhos e pequenos animais: coelhos e outros pequenos animais podem ser indicados para pessoas autistas com maior sensibilidade ao toque. Eles permitem um contato mais controlado e menos invasivo, ajudando na adaptação a estímulos sensoriais.

Evidências científicas sobre a Terapia Assistida por Animais e o autismo

Pesquisas apontam que a TAA pode melhorar significativamente o bem-estar de crianças e adultos autistas. Estudos mostram que interações assistidas com cães podem reduzir os níveis de cortisol (hormônio do estresse), promovendo maior calma e engajamento social.

Além disso, um estudo realizado por universidades especializadas em neurociência e desenvolvimento infantil observou que pessoas autistas que participaram de sessões regulares com animais demonstraram avanços na comunicação e na capacidade de interação em ambientes escolares e terapêuticos.

Profissionais da área também destacam a importância do vínculo emocional criado entre o paciente e o animal, um fator que pode ser determinante para o progresso do tratamento.

Como integrar a Terapia Assistida por Animais ao tratamento do autismo?

A TAA não substitui outros tratamentos, mas pode complementar abordagens clínicas tradicionais, como Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia e Psicologia.

Se você é responsável ou cuidador de uma criança autista e deseja introduzir a TAA no dia a dia, aqui estão algumas recomendações:

  • Procure profissionais qualificados: A terapia deve ser conduzida por especialistas treinados na abordagem.
  • Observe as preferências e o perfil clínico da pessoa autista: Algumas podem se sentir mais confortáveis com animais pequenos, enquanto outras se beneficiam da equoterapia.
  • Mantenha a constância das interações: Para melhores resultados, o contato deve ser regular e estruturado.
  • Respeite os limites do indivíduo autista: Algumas pessoas podem precisar de mais tempo para se acostumar ao contato com os animais.

A TAA pode ser um grande diferencial no desenvolvimento de habilidades essenciais para a autonomia, independência e qualidade de vida de pessoas autistas.

O impacto positivo da TAA no autismo

A relação entre animais e seres humanos pode ser profundamente terapêutica. A Terapia Assistida por Animais é uma estratégia eficaz que contribui para a redução da ansiedade, a melhora da comunicação e o fortalecimento da interação social.

Para aqueles que buscam alternativas inovadoras e eficazes para auxiliar no desenvolvimento infantil, a TAA se destaca como uma abordagem complementar promissora.

Silvia Neri Marinho – CREFITO 3 14036-TO
Terapeuta Ocupacional, Especialista em Análise do Comportamento Aplicada e CEO da Clínica Formare





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