Presidente dos EUA havia dito que ucraniano é um “ditador”; agora, quer que Kiev ceda recursos como compensação financeira
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (republicano), minimizou nesta 5ª feira (17.fev.2025) declarações feitas sobre o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Menos de 10 dias depois de chamar Zelensky de “ditador”, Trump afirmou não se lembrar do comentário.
“Eu disse isso? […] Não posso acreditar que tenha dito isso”, respondeu ao lado do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer (trabalhista), ao ser questionado por jornalistas na Casa Branca.
Em 19 de fevereiro, Trump disse que o líder ucraniano era um “ditador sem eleições” e faz um “trabalho terrível” no cargo. Segundo o republicano, o mandatário levou a Ucrânia a uma guerra que não poderia ser vencida e provocou a “morte desnecessária de milhões”.
Agora o recuo do norte-americano se dá às vésperas da chegada de Zelensky a Washington para a assinatura de um acordo sobre os recursos minerais ucranianos. Trump quer que parte desses insumos seja cedida aos EUA como compensação pelos pacotes de ajuda enviados a Kiev desde 2022.
Os recursos que os EUA procuram na Ucrânia incluem componentes essenciais para baterias, produção de titânio e metais de terras raras que são utilizados em eletrônica, turbinas eólicas, armas e outros produtos.
Parte do acordo inclui a criação de um fundo conjunto para o desenvolvimento dos recursos minerais ucranianos. Questionado sobre o que a Ucrânia receberia no acordo, Trump explicou que o país europeu teria “350 bilhões de dólares, equipamento militar e o direito de continuar a lutar”.
O presidente norte-americano também afirmou nesta 5ª feira (27.fev) querer manter uma relação próxima com o líder ucraniano, apesar das tensões recentes, e o comparou ao presidente da Rússia, Vladimir Putin.
“Eu me dou bem com ambos. Tenho um relacionamento muito bom com o presidente Putin. Acho que também tenho um relacionamento muito bom com o presidente Zelensky“, disse.