O número representa alta de 64% em relação ao mesmo período de 2024; Espírito Santo concentra 84% das infecções
O Brasil registrou 5.514 casos de febre de Oropouche nas primeiras 8 semanas de 2025, 64% a mais do que no mesmo período de 2024, quando foram notificadas 3.353 infecções.
O Espírito Santo concentra 84% dos casos, são 4.643 no Estado. Os dados são do painel epidemiológico do Ministério da Saúde.
O Rio de Janeiro (487) e a Paraíba (287) completam a lista de Estados com números expressivos de casos. Minas Gerais (63), Amapá (28), Ceará (5), Distrito Federal (2) e Roraima (1) também registraram ocorrências pontuais.
ENTENDA A DOENÇA
O arbovírus Orthobunyavirus foi identificado pela 1ª vez no Brasil em 1960, a partir da amostra de sangue de um bicho-preguiça capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília.
A transmissão se dá principalmente por meio do vetor Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim ou mosquito-pólvora. No ciclo silvestre, bichos-preguiça e primatas não-humanos (e possivelmente aves silvestres e roedores) atuam como hospedeiros. Há registros de isolamento do vírus em outras espécies de insetos, como Coquillettidia venezuelensis e Aedes serratus.
Já no ciclo urbano, os humanos são os principais hospedeiros. Nesse cenário, o mosquito Culex quinquefasciatus, popularmente conhecido como pernilongo e comumente encontrado em ambientes urbanos, também pode transmitir o vírus.
SINTOMAS
Os sintomas da febre de Oropouche, segundo o MS, são parecidos com os da dengue e incluem dor de cabeça intensa, dor muscular, náusea e diarreia.
“Nesse sentido, é importante que profissionais da área de vigilância em saúde sejam capazes de diferenciar essas doenças por meio de aspectos clínicos, epidemiológicos e laboratoriais e orientar as ações de prevenção e controle”, diz o órgão.
O quadro clínico agudo, segundo o ministério, evolui com febre de início súbito, cefaleia (dor de cabeça), mialgia (dor muscular) e artralgia (dor articular). Outros sintomas como tontura, dor retro-ocular, calafrios, fotofobia, náuseas e vômitos também são relatados. Casos com acometimento do sistema nervoso central (como meningite asséptica e meningoencefalite), especialmente em pacientes imunocomprometidos, e com manifestações hemorrágicas (petéquias, epistaxe, gengivorragia) podem se dar.
Ainda de acordo com o ministério, parte dos pacientes (estudos relatam até 60%) pode apresentar recidiva, com manifestação dos mesmos sintomas ou apenas febre, cefaleia e mialgia após uma ou duas semanas a partir das manifestações iniciais. “Os sintomas duram de 2 a 7 dias, com evolução benigna e sem sequelas, mesmo nos casos mais graves”.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da febre do Oropouche é clínico, epidemiológico e laboratorial e todos os casos positivos devem ser notificados.
Além de ser de notificação compulsória, a doença também é classificada pelo ministério como de notificação imediata, “em função do potencial epidêmico e da alta capacidade de mutação, podendo se tornar uma ameaça à saúde pública”.
TRATAMENTO
Não há tratamento específico para a febre do Oropouche. A orientação das autoridades sanitárias brasileiras é que os pacientes permaneçam em repouso, com tratamento sintomático e acompanhamento médico. Em caso de sintomas suspeitos, o MS pede que o paciente procure ajuda médica imediatamente e informe sobre uma exposição potencial à doença.
PREVENÇÃO
Dentre as recomendações citadas pela pasta para prevenir a febre do Oropouche estão:
- evitar o contato com áreas de ocorrência e/ou minimizar a exposição às picadas dos vetores;
- usar roupas que cubram a maior parte do corpo e aplicar repelente nas áreas expostas da pele;
- limpar terrenos e locais de criação de animais;
- recolher folhas e frutos que caem no solo;
- usar telas de malha fina em portas e janelas.
Este texto foi produzido pelo trainee Leo Garfinkel, sob a supervisão do editor Augusto Leite.