Ministro do Trabalho e Emprego afirma ser uma “imbecilidade” inibir o crescimento econômico para controlar a inflação
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse nesta 4ª feira (26.fev.2025) que o presidente do BC(Banco Central), Gabriel Galípolo, subirá a taxa básica, a Selic, por pressão do mercado financeiro.
Marinho apresentou os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). O Brasil criou 137,3 mil vagas de empregos formais em janeiro, acima do esperado.
O ministro foi questionado sobre o juro base, já que o Banco Central “contratou” uma alta na próxima reunião, em 19 de março. Ele respondeu: “Eu não participei desse contrato”.
Gabriel Galípolo reforçou na última semana que o Copom (Comitê de Política Monetária) subirá a taxa básica, a Selic, na próxima reunião, de março. Sinalizou que os dados de atividade econômica serão fundamentais para o Banco Central decidir os futuros patamares da Selic.
Portanto, dados mais fortes de criação de emprego podem ter efeito na inflação de serviços e pressionar o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para fora da meta. O cenário poderia exigir uma Selic mais elevada nos próximos meses.
Marinho disse que o Galípolo sinalizou “por pressão do mercado”. E disse esperar que “não cumpra esse contrato”. Ele defendeu que aumento de juros inibe investimento e impacta na criação de empregos.
O ministro disse que inibir o crescimento econômico para controlar a inflação uma “imbecilidade”. Segundo Marinho, é preciso estimular a economia para a atrair investimento.
“Não existe só um mecanismo de controlar a inflação, só pela restrição. Pelo menos essa é minha visão. Ninguém disse que eu estou equivocado até agora”, declarou. Ele pediu “juízo” para o Banco Central.
TAXA SELIC
O Banco Central subiu a taxa básica para 13,25% ao ano em janeiro. Sinalizou que irá elevar para 14,25% ao ano em março. O juro base está há 3 anos acima de 10% e, segundo as projeções dos agentes financeiros, atingirá o patamar de 15% neste ano, o maior nível desde 2006.
A Selic elevada serve para controlar a inflação, que está em 4,56% no acumulado de 12 meses. Está acima da meta de 3% e além do teto (4,5%) permitido. O Banco Central disse que deverá descumprir a meta de inflação em junho.