Cobrar mal sai caro: a inadimplência é iminente, mas o prejuízo não precisa ser

Cobrar mal sai caro: a inadimplência é iminente, mas o prejuízo não precisa ser


Uma atuação jurídica bem-posicionada na recuperação de crédito não só evita prejuízos, mas também melhora a gestão do caixa, preserva a reputação da empresa e consolida uma postura madura diante do mercado

wayhomestudio/FreepikMulher jovem verificando seu orçamento e pagando impostos
É necessário transformar a cobrança em um eixo técnico e estruturado, pautado por inteligência jurídica

A inadimplência, embora previsível em qualquer operação de crédito, ainda é tratada por muitas empresas como um problema meramente operacional. Essa visão limitada tem um custo alto. Quando a recuperação de crédito não é conduzida com estratégia, o impacto vai além da saúde financeira. O fluxo de caixa é comprometido, as relações comerciais se desgastam e o departamento jurídico se vê sobrecarregado com litígios pouco produtivos.

Setores como o financeiro, o varejista, o de serviços e a indústria enfrentam diariamente a realidade de inadimplência em escala. Nesses contextos, não há espaço para improviso. É necessário transformar a cobrança em um eixo técnico e estruturado, pautado por inteligência jurídica, governança e foco em retorno efetivo. A cobrança eficiente começa, antes de tudo, por uma mudança de mentalidade.

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  • Análise Prévia de Viabilidade: Nem todo crédito deve virar processo

A primeira pergunta que toda empresa deveria fazer diante de um crédito em aberto é: vale a pena judicializar? Apesar da obviedade, o ajuizamento de ações contra devedores insolventes, com endereço incerto ou sem qualquer indício de patrimônio ainda é uma prática comum, o que resulta em carteiras abarrotadas de processos estéreis, que consomem recursos e não geram resultado.

A análise de viabilidade deve ser rigorosa e integrada. É fundamental cruzar dados internos com fontes externas de inteligência patrimonial, histórico de adimplência, informações setoriais e indicadores de solvência. Essa triagem inicial, liderada pelo jurídico em parceria com as áreas de crédito e cobrança, permite concentrar esforços nas oportunidades mais viáveis, reduzindo custos e aumentando a taxa de recuperação.

  • Cobrança Extrajudicial: Comunicação que resolve (ou antecipa soluções)

Antes de judicializar, a cobrança extrajudicial representa uma via de alta eficácia, especialmente quando conduzida com técnica e inteligência comunicacional. A diferença entre uma notificação genérica e uma abordagem bem estruturada está nos resultados. Modelos assertivos, com linguagem adequada ao perfil do devedor, base legal sólida e tom estratégico, aumentam significativamente a chance de resolução voluntária.

No ambiente B2B, a clareza e formalidade da comunicação reforçam a credibilidade da empresa e ajudam a preservar vínculos comerciais, mesmo em meio à cobrança. Para isso, o jurídico pode agir como protagonista, padronizando fluxos, ajustando modelos de notificação, documentando todas as etapas e monitorando os índices de sucesso das abordagens.

  • Ação Judicial Certa: Técnica e estratégia desde o ajuizamento

A escolha da via processual adequada faz toda a diferença no resultado da cobrança judicial. Uma execução é mais eficaz quando o crédito é líquido, certo e exigível. Já ações monitórias ou de cobrança são mais indicadas para situações com menor formalização ou maior necessidade de instrução probatória. Optar pelo rito

inadequado, sem análise criteriosa da documentação e da situação do devedor, pode resultar em nulidades, defesas protelatórias e perda de tempo e recursos.

O departamento jurídico deve atuar de forma precisa, avaliando desde o início garantias reais e pessoais, riscos de prescrição e possibilidades de medidas cautelares, como arresto, penhora ou indisponibilidade de bens via SISBAJUD. A atuação antecipada e bem planejada reforça a efetividade da cobrança e transmite segurança à alta gestão.

  • Gestão de carteira e monitoramento: cobrança exige acompanhamento

Não basta ajuizar ações. A cobrança eficiente depende de um monitoramento ativo da carteira. Processos sem acompanhamento adequado frequentemente resultam em extinções por inércia, oportunidades de acordo perdidas e falhas que afetam diretamente os resultados.

O jurídico, em parceria com seus escritórios externos, precisa atuar com indicadores claros e consistentes de desempenho da carteira de cobrança: 

  • Taxa de êxito por tipo de ação; 
  • Tempo médio de tramitação até o recebimento do crédito; 
  • Custo médio por processo (incluindo custas e honorários); 
  • Volume recuperado versus valor total demandado.

Automação de alertas, dashboards integrados e relatórios gerenciais devem ser rotina. A cobrança judicial precisa deixar de ser uma pilha de processos e se tornar um centro de inteligência sobre comportamento de inadimplência e efetividade jurídica.

  • Cobrar com inteligência é proteger patrimônio e reputação

Uma atuação jurídica bem-posicionada na recuperação de crédito não só evita prejuízos, mas também melhora a gestão do caixa, preserva a reputação da empresa e consolida uma postura madura diante do mercado. Cobrar com inteligência não é agir com dureza. É agir com método. Com visão. Com estratégia. A inadimplência pode até ser inevitável. O prejuízo, não.

A empresa que internaliza essa lógica e fortalece sua estrutura jurídica de cobrança deixa de atuar no improviso e passa a liderar a recuperação de crédito com método, precisão e posicionamento estratégico, transformando um desafio recorrente em diferencial competitivo. O retorno não está apenas nos números, mas também na solidez institucional que se constrói ao longo do caminho.

 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.





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