“A coisa está muito além do campo”, avalia Cris Dias sobre problemas da Seleção

“A coisa está muito além do campo”, avalia Cris Dias sobre problemas da Seleção


A apresentadora Cris Dias, nome conhecido da televisão, passou a ser o novo reforço da plataforma Paramount+ para a cobertura da Libertadores e Sul-Americana.

Ela que tem passagens por programas como “Esporte Espetacular”, “Globo Esporte”, “Band Esporte Clube”…, além de ter participado da cobertura da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, conversou com a coluna.

“Estou muito feliz em chegar a uma empresa do tamanho da Paramount, com tanta tradição e reconhecimento internacional. É uma nova fase que me deixa muito animada, ainda mais ao lado de um time de peso, com Nivaldo Prieto, PVC e Alê Xavier”, destaca.

Você poderia revelar quais projetos que envolvem sua contratação pelo Paramount+?

“Olha, tudo é possível. Está tudo em aberto, né? A princípio, a gente vai cobrir os jogos e existe sim a possibilidade de viajar para as transmissões, pré-hora, intervalo e pós-hora”, explica.

A plataforma não descarta o comando de um programa especial no decorrer das competições.

“Vocês vão ter que assistir à Paramount+ para ficar ligadinhos e ver o que vai rolar”, avisa.

Como você avalia o ambiente de trabalho para as mulheres no segmento esportivo? Houve avanços?

“Com certeza houve. Estava até falando com o pessoal. É uma questão muito histórica e estrutural, essa questão da mulher, não só no esporte, como no mercado de trabalho, no geral. É o desenvolvimento e a evolução da mulher, socialmente, porque se você traçar aí uma cronologia, a gente não podia votar, não podia sair de casa, não podia trabalhar, não podia fazer nada, vivia na subserviência da família, da casa, enfim. E aí, ao longo dos anos, das décadas, isso é história, a gente foi evoluindo, fomos adquirindo direitos nessa luta pela equidade de gênero. E eu acho, sim, que a gente evoluiu. Se a gente olhar para trás, com relação a tudo que a gente não podia, não podia jogar bola, era proibido por lei até 1980 no Brasil, não podia usar calça jeans, não podia votar, não podia nada. Hoje em dia, a gente se vê aí no mercado de trabalho, ocupando muitos espaços, e no esporte não é diferente. Logo que eu cheguei, havia muito menos mulheres,  a gente era uma coisa mais figurativa ali, de apresentação, enfim, quase que enfeite, e as coisas foram evoluindo. Hoje em dia, você traça um paralelo, você vê que esse padrão que tinha, ele está acabando, graças a Deus, e também você vê muitas mulheres na reportagem de campo, na apresentação, comentaristas, narradoras, em menor quantidade que os homens, claro, mas a gente vê mulheres em todas as áreas dentro do segmento do esporte, do futebol. Então, eu acho, sim, que a gente evoluiu bastante,  levando em conta que começamos muito depois, a partir de tudo que não podia,  então, em muito menos tempo, conquistamos muitas coisas, mas, olhando sobre essa perspectiva, se olhar para trás, acho que avançamos muito, sim, mas, se olharmos para frente ainda, e as coisas que acontecem, hoje em dia, acho que temos muito a evoluir ainda,  ou seja, a luta segue.

O que falta, na sua opinião, para a seleção brasileira de futebol se tornar mais competitiva?

“Bom, a feminina, eu acho que vem muito na continuidade do que eu falei com relação ao cenário das mulheres na sociedade como um todo. Se parar para pensar que a gente começou muito depois, que a gente se organizou muito depois, ainda tem muito menos investimento comercial.

É claro que ainda precisa evoluir muito nesse sentido de estrutura para poder entregar mais também. Eu acredito que, sobretudo na feminina. Na masculina, acho que o que falta é a organização também de estrutura, a coisa está muito além do campo.”



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