Motta aceita recurso contra processo de Ramagem no STF, diz líder

Motta aceita recurso contra processo de Ramagem no STF, diz líder


Sóstenes Cavalcante afirma que presidente da Câmara despachou requerimento à CCJ; plenário tem 45 dias para analisar

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou nesta 5ª feira (3.abr.2025) que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) o recurso do partido para suspender a ação penal no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Ao Poder360, a assessoria de Motta confirmou a informação. 

Ramagem se tornou réu na Corte em 26 de março por tentativa de golpe de Estado. Com a decisão de Motta, a proposta começa a tramitar oficialmente na Câmara.

“Fica registrada nossa gratidão do PL ao presidente Hugo Motta pela celeridade. Esse recurso do deputado Ramagem é importantíssimo para defendermos uma prerrogativa constitucional do artigo 53, que foi lamentavelmente esquecida na denúncia do procurador e aceita pelo ministro Alexandre de Moraes. Esperamos que a Casa, agora na CCJ e depois no plenário, corrija esse equívoco constitucional”, disse Sóstenes a jornalistas na Câmara.

O recurso protocolado deve ser analisado pelo plenário da Câmara em até 45 dias e precisa de pelo menos 257 votos para aprovação. Se aprovado, será encaminhado a Supremo. A medida vale durante o mandato do congressista, mas, em caso de reeleição para o Legislativo, o prazo é prorrogado.

ENTENDA 

O pedido é baseado na EC (emenda constitucional) 35 da Constituição, que permite que partidos peçam que uma ação penal em andamento contra congressistas no exercício do cargo seja interrompida. A interpretação da oposição é de que, caso a Casa Baixa aprove o pedido, a interrupção do andamento da ação seja estendida ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aos outros 6 denunciados pela PGR (Procuradoria Geral da República).

Leia abaixo o que diz o inciso 3 do Artigo 53 da EC:

“Recebida a denúncia contra o senador ou deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação.”

Na 2ª feira (31.mar), o presidente da 1ª Turma da Corte, o ministro Cristiano Zanin, enviou um ofício ao presidente da Câmara sobre o dispositivo, comunicando o resultado do julgamento. Leia a íntegra da notificação (PDF – 183 kB).

BOLSONARO E MAIS 7 VIRAM RÉUS

A 1ª Turma do STF recebeu na semana anterior, por unanimidade, a denúncia contra Bolsonaro e outras 7 pessoas por uma tentativa de golpe de Estado em 2022.

Com isso, o ex-presidente e aliados se tornam réus, e a Corte dá início a uma ação penal que pode resultar na condenação dos acusados a até 43 anos de prisão.

Estão neste grupo de réus: 

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República; 
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e deputado federal; 
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; 
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; 
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional); 
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; 
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; e 
  • Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice-presidente em 2022.

Os acusados respondem por crimes envolvidos na tentativa de impedir a posse do governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, Bolsonaro era o líder do grupo que planejou o golpe





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