Lula deve sancionar projeto de reciprocidade até 6ª

Lula deve sancionar projeto de reciprocidade até 6ª


Texto foi aprovado pelo Congresso em menos de uma semana em reação ao “tarifaço” de Donald Trump, que taxou produtos brasileiros importados em 10%

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve sancionar o projeto de lei que autoriza o Brasil a adotar a chamada reciprocidade tarifária e ambiental no comércio com outros países até 6ª feira (4.abr.2025). O texto foi aprovado pela Câmara na 4ª feira (2.abr.2025) em votação simbólica, quando não há o registro individual dos votos.

O projeto havia sido aprovado pelo Senado na 3ª feira (1º.abr.2025) com 70 votos a favor e nenhum contra. A celeridade na aprovação é uma reação ao “tarifaço” confirmado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicanos), nesta 4ª feira. O Planalto trata a sanção do texto como prioridade. Espera apenas que os chamados autógrafos do Congresso, um documento oficial com o texto aprovado pelo Congresso, sejam protocolados junto à Presidência.

O norte-americano anunciou uma tarifa de 10% para todos os produtos brasileiros importados. É o mesmo patamar que Trump alega que o Brasil cobra de bens norte-americanos.

O governo Lula lamentou a decisão e disse que irá defender os produtores brasileiros. Em nota conjunta dos ministérios de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e de Relações Exteriores, o governo disse avaliar “todas as possibilidades de ação” e afirmou “assegurar a reciprocidade no comércio bilateral”. Citou também a possibilidade de entrar com um recurso na OMC (Organização Mundial do Comércio). Leia a íntegra do comunicado (PDF – 153 kB).

Diante da falta de um arcabouço legislativo mais robusto para enfrentar uma guerra comercial global, o governo passou a apoiar o projeto, que foi relatado no Senado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro.

O texto original (íntegra) focava na reciprocidade ambiental. Obrigava que países interessados em vender seus produtos ao Brasil cumprissem os mesmos critérios ambientais brasileiros, como na emissão de gases poluentes.

O aumento de tarifas anunciado por Trump, no entanto, fez o projeto ganhar força e receber modificações para incluir a reciprocidade tarifária.

Pelo texto, caberá ao Conselho Estratégico da Camex (Câmara de Comércio Exterior) decidir se adota contramedidas em diferentes esferas (restrição às importações de bens e serviços; suspensão de concessões comerciais, de investimento e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual).

O projeto determina que as contramedidas “deverão ser, na medida do possível, proporcionais ao impacto econômico causado pelas ações”.

Também estabelece a realização de consultas diplomáticas coordenadas pelo Ministério das Relações Exteriores para analisar os impactos das contramedidas.

Deverão passar por consultas públicas. A Camex, no entanto, terá permissão para adotar contramedidas provisórias, de forma excepcional.





Source link