Revista afirma que presidente dos EUA “cometeu o erro econômico mais desnecessário da era moderna” com o tarifaço
A revista britânica Economist chamou o anúncio das tarifas recíprocas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), de “Dia da Ruína”. O termo é em referência ao “Liberation Day” (“Dia da Libertação”, em português), apelido dado pelo republicano ao dia (2.abr.2025) em que divulgou a medida tarifária.
Na capa da edição desta 5ª feira (3.abr.2025), a Economist apresenta uma ilustração de Trump abrindo um buraco abaixo de seus pés com um serrote no formato do mapa dos EUA.

“Dia da Ruína, como limitar o prejuízo global”, diz a capa da revista “Economist” desta 5ª feira (3.abr) com uma ilustração de Donald Trump
Na reportagem (para assinantes), intitulada “As tarifas insensatas do presidente Trump causarão um caos econômico”, a revista afirma que o líder norte-americano, “cometeu o erro econômico mais profundo, prejudicial e desnecessário da era moderna”.
No entanto, pondera que o resto do mundo pode limitar os danos. Segundo o texto, os países devem evitar retaliar as tarifas de Trump, pois isso poderia levá-lo a “dobrar a aposta”, tornando a situação ainda pior.
Em vez disso, as nações devem focar em fortalecer o comércio entre si, especialmente no setor de serviços, que impulsiona a economia moderna.
Também diz que, embora os Estados Unidos tenham grande influência global, eles não dominam o comércio internacional da mesma forma que dominam as finanças e os gastos militares.
“Mesmo que os EUA interrompessem completamente as importações, 100 de seus parceiros comerciais poderiam recuperar todas as exportações perdidas em só 5 anos”, afirma, citando uma estimativa da think-tank Global Trade Alert.
Além disso, o texto discute a possibilidade de a China integrar um novo sistema comercial global, mas alerta que isso só será viável se o país asiático reequilibrar sua economia para reduzir preocupações com o dumping, que é quando um país vende produtos no exterior por preços inferiores aos praticados no mercado interno, prejudicando a concorrência local.
A reportagem afirma que a China poderia ser incentivada a transferir tecnologia e investir na produção europeia em troca de menores tarifas.
Outra estratégia proposta é que a UE (União Europeia) centralize suas regras de investimento para negociar melhor acordos sobre investimentos estrangeiros diretos e superar sua resistência a grandes pactos comerciais.