Eduardo Tagliaferro foi indiciado e nega as acusações; caso está nas mãos da PGR
A Polícia Federal concluiu as investigações e indiciou Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, sob a acusação de vazamento de informações confidenciais. O indiciamento aconteceu após a quebra de sigilo do ex-assessor, que atuava na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tagliaferro foi demitido em 2023, após ser preso sob acusação de violência doméstica.
Durante as investigações, a PF não encontrou mensagens entre Tagliaferro e jornalistas, mas citou diálogos com a esposa, quando ele indicou que teve contato com a Folha de S.Paulo. A série de reportagens publicada pelo jornal expôs detalhes sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes enquanto presidente do TSE, incluindo procedimentos fora do rito oficial e o uso informal da estrutura do tribunal para alimentar investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF).
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O objetivo do vazamento seria “arranhar” a imagem de Moraes e prejudicar apurações sobre grupos de fake news.
A defesa de Tagliaferro sustenta que ele não teve qualquer envolvimento no suposto vazamento e que as acusações são frágeis e inconsistentes. “Ele reitera, categoricamente, que não foi responsável pelo suposto vazamento. Esperamos que a Douta Procuradoria-Geral da República possa verificar a fragilidade da investigação”, afirmou a defesa, esperando que a PGR desconsidere as conclusões do relatório policial.
O próprio Moraes se manifestou sobre o assunto em sessão plenária do STF, em 14 de agosto do ano passado, afirmando que os alvos dos relatórios produzidos pelo órgão de combate à desinformação do TSE já eram investigados no inquérito das fake news ou no das milícias digitais.
De acordo com a PF, como Tagliaferro era funcionário do TSE, ele deveria preservar o sigilo das informações que tinha acesso. Por isso, a autoridade policial entendeu o caso como crime de violação de sigilo funcional com dano à administração pública.
O inquérito que apura o vazamento foi aberto por Moraes, que também é o relator do caso, embora a investigação não envolva autoridades com foro privilegiado.
O caso está agora sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá decidir se apresenta denúncia formal contra o ex-assessor.