Opinião: O documentário “Como Nasce Uma Novela?” entrega o que o noveleiro sempre quis ver

Opinião: O documentário “Como Nasce Uma Novela?” entrega o que o noveleiro sempre quis ver


Documentário produzido pelo “Fantástico” exibiu os bastidores do remake de “Vale Tudo” desde antes da primeira cena ir ao ar

Finalmente, alguém dentro da Globo entendeu que mostrar o bastidor não estraga a mágica — pelo contrário, fortalece. “Como Nasce Uma Novela?”, documentário exibido pelo “Fantástico”, entregou um material precioso: os bastidores do remake de “Vale Tudo” desde antes da primeira cena ir ao ar. Para quem ama novela, foi mais que um extra. Foi um presente.

É raro ver uma produção de dramaturgia tão exposta antes da estreia. A emissora costuma tratar seus processos com muito sigilo. Mas, dessa vez, a escolha foi outra — e foi certeira. Ver os testes de elenco de Bella Campos e Paolla Oliveira, com a insegurança e entrega que aquele momento exige, foi emocionante. E revelador. Aquelas atrizes que a gente vê prontas na tela são, antes de tudo, trabalhadoras do ofício. Elas buscam, arriscam, erram, tentam de novo. E isso só valoriza o que vemos depois no capítulo editado.

Também foi ótimo acompanhar as primeiras leituras de roteiro, os ajustes de tom, a construção da linguagem visual. É aquele momento em que a novela ainda não tem cor nem ritmo, mas já tem energia. Atores, diretores, figurinistas, caracterizadores, roteiristas — todos juntos, tentando entender o que será aquela história que vai ocupar meses da vida de milhões de pessoas.

A TV aberta precisa parar de achar que mostrar o processo tira o brilho do produto. A verdade é o contrário: quanto mais o público entende como nasce uma novela, mais ele respeita o que está vendo. O documentário não revelou só cenas. Revelou trabalho. Suor. Escolhas. E isso gera conexão.

“Como Nasce Uma Novela?” – que está disponível no Globoplay – foi um golaço. E deixa uma pergunta no ar: por que isso não é mais comum? Novela é um patrimônio cultural brasileiro, mas muitas vezes é tratada apenas como entretenimento descartável. Mostrar como ela é feita ajuda a mudar isso. E a gente, que acompanha tudo com brilho no olho, agradece.



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