Galípolo diz que não haverá ‘bala de prata’ para resolver canais de transmissão da política monetária

Galípolo diz que não haverá ‘bala de prata’ para resolver canais de transmissão da política monetária


Presidente do Banco Central repetiu que a economia do Brasil é dinâmica mesmo com juro que seria alto em outros países e voltou a citar subsídios cruzados

Raphael Ribeiro/ Banco CentralGabriel Galípolo
Segundo ele, normalizar esses canais para garantir uma taxa de juros mais baixa é um desafio geracional

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (2) que a fluidez dos canais de transmissão da política monetária talvez não funcione tão bem no Brasil. Segundo ele, normalizar esses canais para garantir uma taxa de juros mais baixa é um desafio geracional, mas exige reformas e não se resolve com uma “bala de prata”. A declaração foi dada na cerimônia de 60 anos da autoridade monetária. “Às vezes perguntamos por que a taxa de juros é tão mais alta que os pares. Ela não coloca nos termos que realmente esclarece o problema. A gente pergunta por que ela é mais alta e ainda assim a economia continua apresentando uma resiliência como apresenta e a inflação continua sendo mais alta. Esse processo de termos esse tipo de combinação sugere que a fluidez da política monetária dos canais, a intervenção da política monetária, talvez não funcione tão bem no Brasil quanto em outros países”, disse Galípolo.

E emendou: “Desobstruir esses canais, normalizar esses canais para que possamos ter doses menores do remédio fazendo o mesmo efeito para o paciente é um desafio, acho que geracional, porque diferente dos casos, como foi o êxito do Plano Real, eu acho que não vamos conseguir ter uma solução que é uma bala de prata. Isso vai demandar uma série de reformas longas, muitas vezes parte delas fora do que é uma data do Banco Central, mas para que a gente consiga vencer isso.”

Galípolo repetiu que a economia do Brasil é dinâmica mesmo com juro que seria alto em outros países e voltou a citar subsídios cruzados e regressivos que trazem reflexos não só na política fiscal, mas também na política monetária. “Acho que há um arranjo na economia brasileira, tanto na questão fiscal quanto na questão monetária, onde nós temos às vezes algumas exceções que são criadas que permitem que alguns grupos paguem menos”, comentou. Ele reforçou que o BC tem de fazer cada ação de maneira técnica, transparente e objetiva.

Autonomia

Galípolo citou ainda que, em meio ao cenário político polarizado, o Banco Central deu demonstração de fortaleza institucional, para além do seu mandato. Ele ressaltou a autonomia do BC e disse que o ex-presidente da autoridade Roberto Campos Neto provocou diversas revoluções, todas elas muito conhecidas e reconhecidas pelas suas contribuições. “E eu tenho muito orgulho, que foi passar por essa primeira transição do Banco Central a partir da autonomia, onde você tinha que conviver com diretores que foram indicados por dois governos distintos”, emendou Galípolo.

Desafio da comunicação

O presidente do Banco Central afirmou também que um dos desafios essenciais da autoridade monetária é aperfeiçoar a comunicação a um público mais amplo. “Até pouco tempo atrás, os bancos centrais nem comunicavam as suas decisões de política monetária. Cada vez mais o Banco Central vai ter que comunicar com um público mais amplo, ele vai ser obrigado a aprender a falar outras línguas, que não só latim, quando ele fala especificamente para o seu público, seja por questões de combate a fraudes, seja por questões de combate a golpes”, disse.

Ele assegurou que o BC tem uma equipe técnica da mais alta qualidade para ajudar nesse processo. Galípolo afirmou ainda ver com bons olhos a democratização do debate sobre política monetária, mesmo que ocorra de forma “acalorada”. A autonomia do BC, segundo ele, significa justamente que a autoridade monetária precisa prestar contas. “Às vezes é um pouco hermético, mas é muito bem-vindo essa legitimidade de debater entre todos, em especial de quem foi democraticamente eleito”, disse.

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Em relação à agenda do futuro, para além da comunicação, Galipolo disse que precisam ser entregues uma série de inovações na agenda evolutiva do Pix em 2025, como Pix por aproximação, Pix parcelado, Pix como garantia e segurança do Pix. Ele também afirmou que a agenda do Drex permite estrutura essencial para ampliar a colaterização de crédito e reiterou que serão buscadas soluções de funding para o mercado imobiliário. O presidente do BC comentou que os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet, acompanharam a relevância das entregas do BC nos últimos anos e agradeceu o apoio de ambos na agenda de inovação.

*Com informações do Estadão Conteúdo
Publicado por Fernando Dias





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