Lideres da oposição venezuelana declaram que irão defender os direitos do país sob o território; região pertence à Guiana e é alvo de disputa entre os 2 países há mais de 1 século
Os líderes da oposição na Venezuela, Edmundo González e Maria Corina Machado, disseram nesta 3ª feira (1º.abr.2025) que a região de Essequibo pertence à Venezuela e afirmaram que irão defender os direitos do país sob o território.
A região de 160 mil km² pertence à Guiana, mas é reivindicada pela Venezuela. A área representa 74% do território guianês, é rica em petróleo e minerais, e tem saída para o Oceano Atlântico. A disputa entre os 2 países pelo território dura mais de 1 século (entenda mais abaixo).
“Rejeitamos categoricamente qualquer opção de guerra, mas exigimos uma real defesa legal e estratégica, sem manipulação política ou ideológica. A soberania não é negociada nem cedida. Essequibo é da Venezuela e vamos defendê-lo. Os direitos da Venezuela sobre o território do Essequibo são indiscutíveis, fundamentados em títulos históricos e jurídicos sólidos”, disse González em nota.
Os líderes da oposição também criticaram o ex-presidente Hugo Chávez por “abandonar” o controle da região por “razões políticas”. Afirmam que o atual chefe do Executivo, Nicolás Maduro, “continuou com essa política irresponsável e permitiu durante anos que a Guiana concedesse licenças de exploração de recursos nas zonas em disputa”.
“A negligência traiçoeira e o abandono da nossa histórica reivindicação facilitaram que o Secretário-Geral da ONU, conforme as disposições do Acordo de Genebra, transferisse a questão para a Corte Internacional de Justiça, dando à Guiana a oportunidade de nos processar nessa instância. Chávez e Maduro não tomaram as ações necessárias para evitar ou reverter a tempo essa situação”, diz outro trecho do comunicado.
MADURO QUER ANEXAR REGIÃO
Em 3 de abril de 2024, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, promulgou a Ley Orgánica para la Defensa del Esequibo (Lei Orgânica para a Defesa de Essequibo, em português), que cria um território venezuelano em uma área reconhecida internacionalmente como parte da Guiana.
Em 27 de janeiro de 2025, o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) venezuelano anunciou que realizará as eleições regionais e parlamentares em 27 de abril. A ideia é incluir Essequibo no pleito.
Em 3 de fevereiro, Maduro afirmou que elegerá um governador para a região.
HISTÓRIA
Os primeiros colonizadores da região foram os espanhóis, que chegaram em 1499 no local. No século 16, a Guiana passou a ser controlada pelos holandeses. Segundo o Portal Contemporâneo da América Latina e Caribe da USP (Universidade de São Paulo), os holandeses acreditavam que na região poderia estar El Dorado –lenda que dizia existir uma cidade em que havia ouro em abundância.
Em 1616, foi construído o 1º forte holandês em Essequibo. O lugar também serviria como entreposto comercial, administrado pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. A então colônia holandesa passou a ter como base econômica a exportação de açúcar e tabaco.
Com a implementação de um amplo sistema de irrigação no século 18, a Guiana expandiu o número de terrenos agrícolas, o que atraiu colonos ingleses de ilhas caribenhas.
A população de origem britânica superou em tamanho a holandesa na região no final do século 18. Com a Revolução Francesa e a expansão da França na Europa, os holandeses decidiram passar parte de suas colônias para a administração inglesa para se proteger de uma possível intervenção francesa.
Em 1814, as colônias Essequiba, Demerara e Berbice foram transferidas de forma oficial para a Inglaterra por meio do tratado Anglo-Holandês. O território passou a se chamar Guiana Inglesa em 1931. O país declarou sua independência em 1966, mas continuou integrando a Comunidade Britânica –grupo de ex-colônias britânicas.