Ex-presidente afirma à “Folha de S. Paulo” que discutiu alternativas após sua derrota nas eleições de 2022
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que uma eventual prisão representaria o fim de sua vida. “Eu já estou com 70 anos”, disse em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada neste sábado (29.mar.2025).
A 1ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu na 4ª feira (26.mar) tornar réus Bolsonaro e outras 7 pessoas por tentativa de golpe de Estado em 2022. A expectativa de aliados do ex-presidente é de que ele seja condenado e preso ainda em 2025.
Bolsonaro voltou a negar qualquer intenção de golpe Estado, mas disse que discutiu alternativas depois de sua derrota nas eleições de 2022. Segundo ele, ao perceber que não poderia recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), buscou entender quais medidas poderiam ser tomadas dentro da Constituição. Dentre as possibilidades levantadas, Bolsonaro mencionou estado de sítio, estado de defesa, o artigo 142 e uma possível intervenção, mas disse que as conversas não resultaram em qualquer decisão.
O ex-presidente também afirmou que se reuniu duas vezes com comandantes militares e outras pessoas, mas minimizou a importância desses encontros. “Nada [foi] com muita profundidade, porque quando você perde a eleição, você fica um peixe fora d’água”, disse. “Se você quer dar golpe, troca o ministro da Defesa, troca o comandante de Força… Você não dá golpe à luz do dia”, acrescentou.
Afirmou ainda que muitos ministros de seu governo já estavam buscando retomar suas vidas normalmente.
Ao ser perguntado sobre o motivo de discutir essas alternativas com militares, Bolsonaro afirmou ter “muita confiança” neles. Ele explicou que inicialmente conversou com o então ministro da Defesa e, em um segundo momento, outras autoridades participaram das reuniões.
O objetivo, segundo ele, era avaliar se havia algum fundamento concreto para seguir adiante com alguma medida para contestar o resultado das eleições. A conclusão foi de que mesmo que houvesse fundamento, não teria como avançar, disse o ex-presidente.
Eis outros destaques da entrevista:
- cartão de vacina: Bolsonaro negou ter pedido a falsificação do cartão e criticou a delação de Mauro Cid. Disse que “um delator tem que ser espontâneo, falar a verdade e ter prova”. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes arquivou o caso na 6ª feira (28.mar);
- outros processos: disse que viu o arquivamento do caso do cartão de vacina como um sinal negativo para outras investigações contra ele. Criticou a forma como as investigações são conduzidas, declarando que não se pode “olhar do lado e ‘ah, apareceu presentes, apareceu estado de sítio’”;
- resultado das eleições: disse não se arrepender de não reconhecer o resultado das urnas em 2022. “Eu tinha meus questionamentos. Todo candidato faz isso quando ele vislumbra qualquer possibilidade. E eu jamais passaria faixa para ele [Lula] também, mesmo que tivesse dúvidas de nada”, afirmou;
- projeto de anistia: disse que, desde o início, não quis saber de anistia para si. Declarou que não imaginava ser envolvido no processo do 8 de Janeiro porque estava nos Estados Unidos;
- asilo nos EUA: negou qualquer intenção de pedir asilo político. “Eu acho que estou com uma cara boa aqui. Tenho 70 anos, me sinto bem. Eu quero o bem do meu país”, afirmou.