Governador de Brasília é alvo de processo por omissão no dia dos ataques as sedes dos Três Poderes
A PGR (Procuradoria Geral da República) defendeu o arquivamento da investigação contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), por conta dos atos extremistas de 8 de janeiro de 2023.
O documento da procuradoria foi apresentado ao STF (Supremo Tribunal Federal) na 4ª feira (26.fev.2025) e será analisado pelo relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes. Ele será responsável por decidir se a investigação pode ser arquivada. As informações são do g1.
Moraes chegou a afastar Ibaneis Rocha do cargo de governador do DF por 90 dias durante as investigações sobre o 8 de Janeiro.
No documento enviado ao STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse que Ibaneis se apresentou de forma voluntária à sede da PF (Polícia Federal) e entregou 2 celulares. Afirmou que as investigações encontraram documentos em computadores do governador que repudiavam os atos do 8 de Janeiro.
Gonet declarou que Ibaneis Rocha realizou 36 ligações telefônicas para autoridades, buscando tomar providências a respeito da invasão à Praça dos Três Poderes.
“Esgotadas as diligências viáveis e sem outra linha investigatória idônea, a partir dos elementos de informação produzidos até o momento, os fatos relatados não revelam justa causa hábil a autorizar o prosseguimento da persecução penal contra Ibaneis Rocha Barros Júnior”, disse Gonet.
Segundo a PGR, os investigadores apontaram não haver indícios de que dados foram apagados de celulares de Ibaneis Rocha. Concluíram que o governador não tentou “mudar planejamento, desfazer ordens de autoridades das forças de segurança, omitir informações a autoridades superiores do Governo Federal ou mesmo impedir a repressão do avanço dos manifestantes durante os atos de vandalismo e invasão”.
Em outubro de 2024, um relatório enviado pela PF ao STF concluiu que houve falhas “evidentes” da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal no enfrentamento aos atos extremistas do 8 de Janeiro.
Segundo a corporação, tais falhas foram acarretadas, principalmente, pela “ausência inesperada de seu principal líder, Anderson Torres”. Na época, Torres era secretário de Segurança Pública do DF e havia viajado para Orlando, nos Estados Unidos. Retornou em 14 de janeiro.
A PF também afirmou que a ausência de articulação e a difusão restrita de dados contidos em um relatório de inteligência foram fatores “decisivos”, que comprometeram a prevenção das autoridades quanto à dimensão dos atos. Isso resultou em uma resposta “ineficiente” das forças de segurança.
No dia 1º de fevereiro, o inquérito contra Anderson Torres foi arquivado pelo MPF (Ministério Público Federal). O inquérito também investigava outras autoridades, dentre elas, Ibaneis Rocha.
A investigação concluiu não haver dolo na conduta do ex-secretário de Segurança do Distrito Federal. O documento diz que, apesar de haver uma “falha no serviço de inteligência”, não é possível comprovar a relação de Torres na facilitação dos atos.