Países concordaram em criar aliança para combater doenças e revisar parceria econômica na 1ª reunião de sherpas
O embaixador Mauricio Carvalho Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores e sherpa (negociador chefe) do Brasil nos Brics, afirmou nesta 4ª feira (26.fev.2025) que as propostas brasileiras para o grupo tiveram apoio unânime entre os países integrantes durante a 1ª reunião de sherpas.
“Cobrimos toda a agenda. A avaliação da presidência brasileira é de que a reunião foi muito bem. Foi exatamente como gostaríamos que tivesse ocorrido. […] A reunião transcorreu de uma forma muito positiva, com muita contribuição construtiva e espírito de cooperação”, disse a jornalistas no Palácio Itamaraty.
O encontro, realizado em Brasília na 3ª feira (25.fev) e 4ª feira (26.fev), reuniu os sherpas dos países integrantes do grupo. Eles são responsáveis por conduzir as discussões até a reunião de líderes na Cúpula do Brics, marcada para 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.
Segundo Lyrio, os países do Brics concordaram em:
- criar uma parceria para erradicação de doenças socialmente determinadas e doenças tropicais negligenciadas. “Essa parceria na área de saúde, justamente centrada em doenças que incidem mais sobre os países emergentes e países em desenvolvimento, é uma das mais as prioridades do grupo”, afirmou o embaixador;
- desenvolver um posicionamento único sobre o financiamento de ações climáticas que será levado para a COP30. O evento será realizado de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA);
- revisar a parceria estratégica econômica do Brics. Por presidir o grupo atualmente, o Brasil será responsável por lançar um novo plano quinquenal sobre o assunto. “Há interesse dos demais países em avançar em áreas novas como facilitação de comércio, além de prosseguir na negociação das plataformas de pagamento”, disse Lyrio;
- criar um conjunto de regras e princípios internacionais para regular a IA de forma global e inclusiva. Segundo o embaixador, os países do Brics concordam que a ONU (Organização das Nações Unidas) deve estar no centro desse processo, assegurando que regras sejam aplicáveis a todas as nações e não somente a um grupo seleto. “Houve um acordo para termos também um documento sobre princípios para a governança global de inteligência artificial”, disse.
A 1ª reunião de sherpas também discutiu questões relacionadas aos assuntos institucionais do Brics, incluindo a definição de um novo modelo para a presidência rotativa do grupo.
Segundo Lyrio, a ideia é terminar o ciclo com os integrantes originais contando a partir da presidência russa em 2024. Depois do Brasil, o comando do Brics passará para a Índia em 2026, China em 2027 e África do Sul em 2028. A partir de 2029, começaria um novo ciclo em ordem alfabética, considerando os nomes dos países em inglês.
“Houve uma simpatia generalizada por essa ideia, mas ela tem que ser discutida em outras instâncias”, explicou o embaixador.